Simulacros do Digital
Comento hoje as contradições dos termos que usamos para falar sobre a cultura digital.
O filósofo francês Jean Baudrillard, nos anos 90, escrevia sobre "simulacros e simulações". A sociedade contemporânea funciona mais nas aparências do real do que no próprio real. Elas geram simulacros - as coisas parecem uma coisa, mas são outra; e simulações - ações baseadas nesses simulacros. Alguns exemplos!
"Amigo" nas redes sociais. Não são as pessoas em quem realmente confiamos. Nas redes, "amigo" é simulacro para criar um vínculo com quem aceitamos seguir. São "correspondentes interessados".
"Conteúdo". Palavra de ordem. Produzir conteúdo. Sem filtro, "conteúdo" é qualquer coisa que possa ser monetizada em diversos formatos, mesmo que não tenha conteúdo nenhum.
Como os "cortes" de vídeo. Eles não são uma amostra do real. São imagens retiradas de contexto, criando narrativas para "lacrar" na rede. É desrealização e não extrato da realidade.
"Nuvem". Imaginamos o digital como virtual, desmaterializado. Mas a "nuvem" é infraestrutura física de cabos, data centers e servidores. Dizemos nuvem, mas, na verdade, estamos nos referindo à Terra!
"Influenciadores" não são pessoas que promovem causas de interesse público ou que influenciam outros a saírem da “caixinha”. São mais "confirmadores" de maneiras de ver o mundo. Segue-se os que dizem o que queremos ouvir, confirmando o que gostamos ou sabemos.
A "rede social" deveria remeter à ideia de que o social é rede. Social vem de associar. Mas ela é isolamento em bolhas, inibindo a diversidade e a pluralidade. Rede social é majoritariamente “a-social”.
"Deepfake" são imagens e vozes falsas manipuladas por inteligência artificial. Mas o objetivo é produzir um real mais que real, um "deepreal". É uma forma de manipulação ou de reforço do que se deseja que venha a acontecer.
Agora temos "Bebê Reborn" que simulam bebês. Eles nunca nasceram, mas já são renascidos.
"Fake News". Noticia falsa. Oximoro. Notícia, por definição, não pode ser falsa. É simulacro de notícia. Muitas vezes, FN é o que seu "inimigo" diz.
Por fim, "inteligência artificial". Nossa inteligência é simbiose entre corpo e artefatos. E o que chamamos de IA é apenas processamento estatístico de dados sem corpo. A IA não é inteligente, nem a nossa inteligência, que chamamos de natural, é independente de artefatos.
Estamos imersos em uma cultura digital que constantemente produz simulacros e simulações. Fiquemos atentos!

Professor, gostaria mt de saber a sua opinião e visão sobre microinfluenciadores como maria jose cururu, adri oficial, tidinha meneghel